Criacionismo nas escolas Portuguesas

Hoje em dia ensina-se o criacionismo em escolas públicas Portuguesas. O criacionismo faz parte do currículo oficial da disciplina de Educação Moral e Religiosa Evangélica (1), e possivelmente será incluído nos currículos de outras disciplinas da área disciplinar de Educação Moral e Religiosa. Este texto pretende expor o criacionismo como uma hipótese objectivamente falsa, que, por isso, não deve fazer parte do currículo do ensino Português. Não está aqui em causa o ensino de uma moral religiosa, nem uma critica ao criacionismo por ser religião, mas a questão de ensinar aos jovens Portugueses no ensino público hipóteses incorrectas e contrárias aos currículos de outras disciplinas.

O Criacionismo Moderno.

Um argumento usado pelo criacionismo moderno é o de que a ciência é essencialmente naturalista e materialista. Explicam assim o insucesso científico do criacionismo como sendo uma limitação da ciência, e propõem o criacionismo como uma abordagem alternativa, igualmente merecedora de consideração. Mas a premissa é falsa; a ciência é o método pelo qual moldamos as nossas ideias ao que a realidade nos apresenta. É um caminho, e não um destino, e onde o caminho nos leva depende da realidade. Se porventura vivêssemos num universo cheio de deuses e espíritos, a ciência moderna teria modelos estatísticos para a influencia das orações na humidade relativa do ar, a infra-estrutura tecnológica da nossa sociedade assentaria na teologia aplicada ou na engenheira de espíritos, e, aqui e ali, alguns dos permanentemente insatisfeitos queixar-se-iam da ciência se limitar ao sobrenatural e espiritual e ignorar o natural e material. A ciência moderna é claramente materialista e naturalista, mas não por culpa do método. O culpado é o universo em que vivemos, que teima em ser explicado com mais exactidão por hipóteses desprovidas de Vontade, Propósito ou Plano Divino. O criacionismo não é, portanto, uma via alternativa mas uma tentativa de forçar os resultados a conformarem-se com expectativas religiosas.

É irónico que os criacionistas hoje aleguem que a ciência rejeita o criacionismo por incapacidade de lidar com o sobrenatural. No século XVIII, William Paley justificou o criacionismo com a famosa analogia do relógio encontrado no chão da floresta: algo que, pela sua complexidade, necessariamente teria sido criado por um ser inteligente para um propósito, e que não podia tem aparecido por acaso. Isto, propôs Paley, explicaria também todos os seres vivos, tão complexos que são, e seria um deus infinitamente sábio o único com a capacidade de os criar.

A ironia deste argumento criacionista moderno é que o criacionismo era a teoria central das ciências biológicas no século XVIII. Sobrenatural, espiritualista, chamem-lhe o que quiserem, mas a hipótese que um deus todo-poderoso e infinitamente sábio tinha criado cada ser vivo, do mais pequeno ao maior, era a base de todas as explicações científicas nesta altura. O criacionismo era ciência, porque era uma hipótese concreta com poder explicativo. Pelo criacionismo se explicava a língua comprida do pica-pau, o corpo hidrodinamico dos peixes, e as asas dos pássaros.

Foi precisamente por ser o criacionismo de Paley uma hipótese concreta e científica que puderam os cientistas que o sucederam concluir que estava errada. Como qualquer hipótese cientifica errada, o criacionismo eventualmente revelou-se incompatível com a realidade. Numa ilha vivem pássaros com asas belissimamente adaptadas para nadar, com penas ajustadas ao clima, com ovos que eclodem exactamente na altura do ano em que as correntes trazem a maior quantidade de peixe. Claramente, pensaram na altura, obra de um criador inteligente. Mas meia dúzia de ratos saltam de um navio e em poucos anos dizimam por completo a população de aves da ilha. Onde teria este criador a cabeça quando deixou aqueles ovos tão expostos? Porque não deu aos pássaros pelo menos o reduzido discernimento de dar uma bicada no rato que lhes está a comer a prol? Noutro sítio, uma espécie de escaravelho tem umas asas perfeitamente formadas, como muitos escaravelhos têm, mas debaixo duma carapaça protectora fundida numa só peça e que é impossível abrir, e por isso estes escaravelhos nunca voam. Como se pode compatibilizar esta observação com uma hipótese de criação inteligente? E como chegaram à Austrália as toupeiras marsupiais que lá vivem? E porque não há cangurus em mais lado nenhum? Estas perguntas foram erguendo-se às centenas, e com as grandes explorações dos naturalistas do século XIX rapidamente se concluiu que o criacionismo estava errado. Não porque não estivesse dentro do que era aceitável cientificamente, mas pura e simplesmente porque o que esta hipótese dizia não estava de acordo com o que se observava. O relato bíblico da criação era objectivamente falso.

Darwin e Wallace aperceberam-se da importância da capacidade dos organismos vivos de se reproduzirem, e compreenderam como essa capacidade tornava a explicação para esta categoria de objectos complexos muito diferente da explicação para a existência de relógios, automóveis, ou mesmo diques de castor e teias de aranha; todos aqueles objectos que sabemos ter um criador mas que não são capazes de se reproduzir. Após Darwin e Wallace a única possibilidade que restava aos criacionistas era abandonar a ciência, pois o criacionismo científico estava refutado e ultrapassado por uma explicação muito superior para a origem das espécies de organismos modernos.

Em menos de dois séculos desde Darwin e Wallace, a teoria da evolução teve um enorme desenvolvimento: não só no rigor dos modelos matemáticos da genética de populações, na síntese com a genética molecular, e até mesmo em aplicações tecnológicas, como programas de vacinação, o uso correcto de antibióticos e outras drogas, os modelos animais usados em investigação em medicina, entre muitas outras. Durante esse período o criacionismo definhou, de uma próspera e legítima teoria científica até um mero chavão de significado indefinido. Isto porque os criacionistas sabem que não podem apresentar propostas concretas, nem explicações testáveis, pois imediatamente iriam ser refutadas pelos factos. Já o foram há duzentos anos atrás, e agora o conhecimento que temos nesta área é muito superior. Se a abordagem criacionista fosse a da análise objectiva das evidências, não teriam senão que admitir derrota e prosseguir viagem com outra hipótese mais promissora. Isso é que é ciência. Mas o criacionismo moderno não é ciência, é um movimento ideológico e político e não se segue pelos mesmos princípios.

Os objectivos do criacionismo moderno são bem demonstrados pelo memorando interno do Discovery Institute, que foi exposto a público em 1999 e que esboça a estratégia deste movimento (1):

“As consequências sociais do materialismo têm sido devastadoras. Como sintomas, são certamente merecedoras de tratamento. No entanto, estamos convictos que de modo a derrotar o materialismo, temos que eliminar a sua fonte. Esta fonte é o materialismo científico. Essa é a nossa estratégia. Se virmos a ciência materialista predominante como uma grande árvore, a nossa estratégia é funcionar como uma “cunha” que, se bem que relativamente pequena, possa rachar o tronco quando aplicada no ponto mais fraco”.

É óbvio que não se trata de um movimento científico, mas sim de um movimento ideológico anti-ciência. É importante ter isto em mente quando ouvimos os argumentos alegadamente científicos dos criacionistas. Não estamos a ouvir cientistas a falar de ciência pelas regras da ciência, mas ideólogos empenhados numa campanha política que visa, nas palavras deles, rachar o tronco da ciência moderna. E isto reflecte-se claramente nos seus argumentos, numa série de truques que usam que seriam inaceitáveis num argumento científico.

O Argumento Criacionista

A maior lacuna do criacionismo moderno como explicação é precisamente a ausência de uma hipótese explicativa coerente. O criacionismo do tempo de Paley era uma teoria científica, tanto que permitiu que cientistas a usassem, testassem, e eventualmente a refutassem pelo peso das evidências. A literatura criacionista moderna é pouco mais que uma longa lista de criticas mal fundamentadas à teoria da evolução, sem apresentar uma alternativa coerente, com principio, meio, e fim, que explique adequadamente os mecanismos que originaram as espécies modernas. Dizer que “Deus os criou” não chega; não por depender de algo sobrenatural, mas por não dizer algo de concreto que nos ajude a explicar o que observamos. Um exemplo, de entre muitos, é o artigo de Jónatas Machado, intitulado Criacionismo Bíblico (3), que segue a linha padrão dos argumentos criacionistas modernos, e onde podemos encontrar vários dos erros mais comuns dos argumentos criacionistas. Veremos de seguida alguns dos mais importantes, não com o objectivo de refutar ou criticar especificamente este ou aquele artigo criacionista, mas de esclarecer duma forma geral os problemas com o argumento criacionista.

1- A teoria da evolução como mera interpretação e crença.

Os criacionistas alegam que a ciência parte duma crença dogmática evolucionista e é só por isso que interpreta as observações nesta perspectiva. Por exemplo, que a datação de materiais por quantificação de isótopos indica uma Terra com biliões de anos porque os evolucionistas assim o desejam, e que a concordância entre a física e a biologia modernas se deve a um jogo viciado, em que uma dita a outra. Nisto confundem ciência com religião. Religiões diferentes não precisam ser compatíveis entre si; é perfeitamente legítimo que a doutrina de uma religião discorde da doutrina de uma outra. Se duas religiões concordam na maioria das coisas, isto é muitas vezes indicativo duma origem comum (algo curiosamente análogo à origem das espécies segundo a teoria da evolução). Mas as diferentes disciplinas da ciência explicam todas a mesma realidade. Não é de surpreender que a física e a biologia, e a geologia (esta última mesmo antes de Darwin) tenham chegado independentemente à conclusão que a Terra é muito mais antiga do que os criacionistas propõem. Afinal não está cada uma a olhar para a sua fé, mas estão a estudar diferentes aspectos do mesmo universo.

E a interpretação em ciência não é uma questão de gosto ou crença. A ciência não é uma democracia de opiniões, mas a ditadura dos factos, e isso rege a própria interpretação. Se eu lançar uma moeda trinta vezes e trinta vezes sair coroa, a interpretação de que a moeda está viciada é suportada por uma inferência estatística independente de qualquer crença pessoal que eu queira ter acerca da moeda. Qualquer explicação alternativa terá que ultrapassar duma forma objectiva o obstáculo da improbabilidade do resultado numa moeda equilibrada.

Algo muito semelhante acontece na interpretação dos factos que indicam que todos os seres vivos modernos pertencem a uma enorme família. Consideremos uma família de organismos que se reproduzam assexuadamente, por exemplo plantas que propagámos retirando rebentos de uma planta adulta e plantando-os. Se duas plantas que sejam parentes próximos partilham o grau de parentesco com qualquer parente mais afastado, tal como dois irmãos partilham o mesmo grau de parentesco com qualquer primo. Se as características genéticas ou morfológicas forem herdadas com pequenas modificações, as plantas tenderão a ser mais parecidas quanto maior o parentesco. Digamos que plantas mais parecidas estão mais próximas entre si, e plantas mais diferentes mais distantes. Nesta nossa família teremos então uma regra universal: para quaisquer três plantas da mesma geração, as duas mais próximas estarão equidistantes da terceira menos parecida e mais distante com elas. Não encontraremos, na mesma geração, um caso em que uma planta está no meio de duas outras, pois as plantas intermédias são as das gerações anteriores: a mãe intermédia entre as filhas, a avó intermédia entre primas, e assim por diante. Esta situação é análoga à multiplicação das espécies, que surgem quando uma população de organismos se torna diferente da população e espécie a que pertenciam.

Nos genes dos organismos (genoma) estas diferenças são tão fáceis de quantificar como contar quantas vezes saiu cara ou coroa ao lançar a moeda, quando comparamos os genomas de espécies modernas vemos o mesmo padrão que teríamos numa geração das nossas plantas. Exactamente como se os seres vivos modernos fossem uma geração duma enorme família de espécies, todas descendentes de espécies ancestrais aparentadas, e com uma população ancestral comum a todos. Por exemplo, ao compararmos o genoma de um morcego, de um golfinho, e de um tubarão, vemos que os dois primeiros têm menos diferenças e, mais espantoso ainda, que o golfinho e o morcego estão à mesma distância do tubarão em número de diferenças. Isto é um padrão que se repete em milhares e milhares de espécies. Sempre que analisamos estatisticamente as relações de semelhança entre o genoma de organismos modernos acabamos com uma estrutura em árvore, e com uma significância estatística muito mais forte que a do exemplo da moeda. Neste caso também, quem quiser propor uma alternativa terá que explicar de onde vem este padrão tão saliente.

2- A evolução como processo aleatório.

Os criacionistas acusam a teoria da evolução de ser, fundamentalmente, uma teoria do acaso. E de facto a fonte de inovação na evolução das espécies – a recombinação e a mutação – são considerados processos essencialmente aleatórios (não totalmente, mas uma análise das excepções seria longa e tangencial ao propósito deste texto). Mas essa componente aleatória é apenas parte da teoria. A outra parte, muito importante, é que estas características vão afectar o sucesso reprodutivo dos organismos de formas que não são completamente aleatórias. Vejamos como analogia o ovo cozido. Quando pomos os ovo na água a ferver estamos a intensificar os movimentos aleatórios das proteínas do ovo, pois o aumento da temperatura é precisamente o acelerar do movimento das moléculas. Eventualmente as proteínas do ovo perdem a sua forma nativa e começam a interagir, formando grandes agregados que precipitam e dão ao ovo cozido o seu aspecto característico. Apesar de uma parte fundamental do processo ser aleatória, o processo em si é extremamente fiável e reprodutível, como todos sabemos. Nem o ovo se coze ao acaso, nem os organismos evoluem ao acaso.

O problema deste argumento criacionista é assumir que algo ocorre apenas ou por acaso ou por desígnio de alguma inteligência. Mas há uma terceira alternativa, que é algo ocorrer por um mecanismo causal natural que não implique um objectivo, propósito, ou inteligência. É isso que acontece quando um ovo coze, ou quando o nosso sistema digestivo converte sopa de legumes em células humanas vivas. Não se trata de um mero acaso, nem de um plano divino, mas sim de um conjunto de processos naturais cegos com resultados consistentes e previsíveis.

E temos fortes evidências de que os organismos modernos evoluíram como a teoria da evolução sugere: por meio de uma fonte aleatória de novos genes que são em seguida filtrados por processos naturais. Os genes são partes das moléculas de DNA que determinam a formação de proteínas pela forma como reagem com outras moléculas na célula, e é possível vários genes diferentes produzirem a mesma proteína. Quando uma alteração num gene é tal que apenas o gene fica diferente mas a proteína é a mesma é designada uma mutação sinónima. O que podemos observar quando comparamos genes de organismos diferentes é que 999 em cada mil diferenças entre os genes são deste tipo, sinónimas, sem qualquer consequência para as características do organismo.

Para a teoria da evolução isto é exactamente o esperado. Imaginem que um ser complexo como um mamífero sofre uma mutação aleatória. Se esta for sinónima não fará qualquer diferença e terá boas probabilidades de ser passada à geração seguinte. Mas se não for sinónima e tiver algum impacto nas características deste ser complexo, o mais provável é ser prejudicial. Dificilmente podemos melhorar um ser complexo com alterações aleatórias, mesmo que muito pequenas. E por isso a maioria das mutações não sinónimas é eliminada pela selecção natural. Sobra apenas, em média, uma mutação em cada mil que desaparecem, que por acaso se mostra suficientemente útil, ou pelo menos suficientemente pouco nefasta, para não ser eliminada na competição pela sobrevivência e reprodução.

Mas se assumirmos que um ser inteligente planeou o genoma do morcego e do golfinho, é difícil explicar porque 99.9% das diferenças entre estes genomas são inconsequentes, e porque está o fardo de fazer um golfinho diferente de um morcego em apenas 0.1% das diferenças genéticas entre estes organismos. Os criacionistas não tentam sequer explicar esta observação tão contrária à sua hipótese.

Mais uma vez não estamos numa situação ambígua em que cada um é livre de interpretar as observações como quiser. As diferenças sem consequência estão em tão grande maioria que se exige de qualquer interpretação que explique porquê. Nisto a teoria da evolução é bem sucedida, e o criacionismo falha.

3- A teoria da evolução como reconstrução histórica.

Face ao grande sucesso da ciência moderna, patente em toda a infra-estrutura tecnológica de que a nossa sociedade depende, os criacionistas por vezes argumentam que a teoria da evolução não é uma ciência como as outras, mas apenas uma tentativa de reconstruir acontecimentos passados. Isto é falso. A evolução é a variação ao longo das gerações da distribuição de genes numa população. É um facto observável. A teoria da evolução é a teoria que explica e nos permite modelar esse processo. É nisto análoga à física, ou química, ou geologia, que explicam processos que observamos e que, por essas explicações, nos permitem reconstruir algo que já não vamos a tempo de observar. Uma das aplicações da teoria da evolução é explicar o que aconteceu, e essa é a mais conhecida, mas isso é algo que qualquer outra teoria científica também é capaz de fazer. E não é a única aplicação possível da teoria da evolução.

Aqui é preciso compreender que uma teoria científica não é uma ideia isolada, mas uma hipótese que vale pela sua capacidade de explicar as observações e pela maneira como se insere na ciência como um todo coerente e coeso. A importância da teoria da evolução na ciência moderna não vem da força de um dogma institucionalizado, mas da forma como muitas disciplinas científicas modernas apontam para a mesma conclusão. Seria possível hoje em dia inferir a teoria da evolução a partir da paleontologia moderna. O registo fóssil conhecido é suficiente para, por si só, já justificar esta hipótese. Também o poderíamos fazer partindo da taxinomia e biologia descritiva, o que foi aliás o que Darwin e Wallace fizeram já no seu tempo. O mesmo se poderia dizer da análise estatística e modelação matemática das variações genéticas em populações, ou da genética molecular e bioquímica, ou mesmo da medicina e epidemiologia.

Ao contrário do que os criacionistas propõem, a teoria da evolução não é um apêndice inútil da ciência moderna, com um propósito meramente institucional e de interesse histórico. É uma conclusão sólida para a qual apontam muitas e diversas áreas do conhecimento moderno, e sem a qual não teríamos explicação para a maior parte do que observamos hoje em dia que esteja relacionado com organismos vivos. Em 1973, Theodosius Dobzhansky afirmou que “nada em biologia faz sentido a não ser à luz da teoria da evolução”(2). Trinta anos mais tarde, podemos dizer que isto é verdade também para muitas outras disciplinas.

4- A Terra está tão bem adaptada a nós que tem que ter sido criada para nós.

Este argumento criacionista defende que o planeta onde vivemos tem que ter sido criado propositadamente para nós dada a forma como todas as condições se adequam à nossa existência. Argumentos semelhantes são por vezes apresentados no que respeita ao Universo em geral. Muito sucintamente, a razão principal porque nos damos tão bem aqui não é porque este sítio tenha sido feito para nós, mas porque nós tenhamos evoluído aqui. Gostava aqui de parafrasear Douglas Adams que, num breve conto (5), descreveu os pensamentos duma eventual poça de água que tivesse ganho consciência e se tivesse admirado em como o buraco que ocupava se adaptava exactamente à sua forma. Ficção, é certo, mas ilustra bem o erro de raciocínio por trás deste argumento criacionista.

Não é de admirar que tivéssemos evoluído num planeta onde a evolução da vida foi possível, nem tão pouco que durante esta evolução as espécies resultantes se mostrassem adaptadas à vida nas condições que temos neste planeta. Não se justifica inferir daqui uma intervenção divina.

Considerando todo o Universo, a hipótese criacionista tem ainda mais problemas quando confrontada pela observação. O Universo é imensamente vasto. Só a nossa galáxia contém centenas de milhões de estrelas, e é apenas uma de muitas galáxias só dentro da região que conseguimos observar. A ideia que tudo foi criado à nossa medida podia ser plausível quando se pensava que o Universo era a Terra e umas esferas de cristal onde os astros estavam presos, mas já não o é. É pouco razoável concluir que todo este Universo foi criado por nossa causa apenas pelo facto de algumas constantes físicas serem tais que permitam a nossa existência.

5- A teoria da evolução depende da teoria da abiogénese.

Este argumento criacionista é que a teoria da evolução depende da vida ter surgido de forma aleatória, e que a ausência de evidências para tal demonstra que a teoria da evolução é falsa. Isto confunde várias hipóteses e teorias científicas.

Por um lado temos a teoria da evolução, que se refere à forma e mecanismos pelos quais a distribuição dos genes (ou, mais genericamente, de características herdáveis) varia numa população ao longo do tempo. Não há aqui qualquer exigência quanto à origem de tal população. De facto, a teoria da evolução tem aplicações muito variadas, tais como em computação, lidando com populações de números representados no computador, ou em química evolutiva para criar certos compostos a partir de sequências de reacções em misturas de muitas moléculas diferentes, com aplicações comerciais em várias áreas.

Por outro lado temos as teorias modernas da abiogénese, que recorrem à teoria da evolução para explicar a origem da vida. Muito sucintamente, as ideias mais aceites hoje em dia acerca da origem da vida na Terra centram-se na capacidade de algumas moléculas simples se replicarem. Estas poderiam facilmente ter surgido por processos naturais (e não pelo acaso, como alegam os criacionistas) e, uma vez em cena, começariam a evoluir, pois a evolução não necessita de organismos vivos mas apenas de algo capaz de se replicar e herdar características dos seus antepassados.

Se a teoria da evolução fosse refutada, estas teorias acerca da abiogénese teriam que ser rejeitadas ou revistas. Mas a teoria da evolução aplicada à transformação das espécies neste planeta é compatível com qualquer hipótese acerca da origem do primeiro ser vivo. Pode ter sido por abiogénese, mas poderia ter sido por intervenção de alienígenas tecnologicamente avançados ou mesmo por um deus criador.

6- Métodos de datação.

É frequente na literatura criacionista a alegação que os métodos de datação usados para determinar a idade da Terra e das rochas estão todos dependentes duma interpretação evolucionista. Isto está muito longe da realidade. Há muitos métodos independentes de datação, e o que suporta a hipótese duma Terra com biliões de anos de idade não é a teoria da evolução nem uma técnica isolada, mas a confluência de muitos resultados independentes.

Vejamos alguns dos processos que podem indicar a idade de um estrato rochoso. O leito rochoso tende a formar-se gradualmente, e o mais comum é que um estrato tenha uma idade intermédia entre os estratos que se encontram imediatamente acima e abaixo deste. A datação radiométrica baseia-se na transformação gradual de isótopos radioactivos; por exemplo, o Urânio radioactivo decai gradualmente noutros elementos, entre os quais o Chumbo. Pela determinação das concentrações relativas de Urânio e Chumbo numa rocha podemos ter uma ideia da sua idade duma forma independente da sua localização no estrato.

Uma objecção criacionista é que podemos estar enganados ao assumir que o decaimento radioactivo do Urânio se manteve constante, ou assumimos um valor errado para a concentração inicial de Urânio e por isso obtivemos resultados errados. Mas podemos aplicar o mesmo método a vários elementos. Por exemplo, uma rocha pode ser datada pelo decaimento de vários isótopos de Árgon, de Potássio em Árgon, de Rubídio em Estrôncio, de vários isótopos de Chumbo, ou Tório em Chumbo, e o resultado ser sempre uma idade de aproximadamente 580 milhões de anos. É pouco provável que todas as concentrações e velocidades de decaimento estejam erradas quando os resultados de cálculos independentes são tão consistentes.

Em geral, qualquer processo gradual que transforme as rochas duma forma previsível pode ser usado para a sua datação. A penetração gradual de humidade na superfície de algumas rochas vulcânicas indica o tempo desde que aquela superfície ficou exposta aos elementos. Em alguns minerais, electrões dos átomos podem ficar presos em configurações mais energéticas, e aquecendo a amostra podemos medir a quantidade de electrões nesta situação pela luz emitida (termoluminescência). A colisão de raios cósmicos provoca defeitos microscópicos nos cristais, outro processo gradual que indica a idade de formação de um cristal pelo número de defeitos deste género.

Processos químicos também podem ser usados, especialmente em material de origem biológica. A racemização de aminoácidos é um exemplo; em seres vivos os aminoácidos têm apenas uma de duas geometrias possíveis, mas após a morte do organismo vão-se transformando numa mistura de ambas as formas. Pela proporção das concentrações destas formas numa amostra podemos ter uma ideia de quando o organismo viveu.

Processos geológicos ou biológicos muitas vezes resultam em formações regulares de período conhecido. Nos pólos, o gelo acumula-se anualmente, formando camadas anuais facilmente visíveis (e contáveis). Em alguns lagos a acumulação anual de sedimentos durante a época das chuvas produz o mesmo efeito. O crescimento dos recifes de coral também é sazonal. Pela observação destes estratos podemos contar centenas de milhares de anos de idade.

Também se pode datar os estratos pelos fósseis presentes na rocha. Isto é viciar os resultados, alegam os criacionistas, pois estamos a usar uma abordagem evolucionista. Mais uma vez a alegação é falsa. A teoria da evolução explica a razão porque fósseis diferentes se encontram em estratos diferentes. Mas é um facto directamente observável que alguns fósseis só se encontrarem naqueles estratos e não noutros, independentemente da explicação. Os próprios criacionistas admitem esse facto e tentam explicar a estratificação dos fósseis pelo efeito do Dilúvio, como veremos na secção seguinte. E é essa estratificação que permite datar os estratos pelos fósseis porque permite identificar facilmente o estrato, que já pode ter sido datado por outros métodos em outros lugares.

O principal aqui não é uma ou outra técnica de datação, mas a forma como todas estas abordagens dão resultados concordantes. Estamos perante um enorme conjunto de observações que consistentemente indica uma Terra com biliões de anos de existência. Os criacionistas alegam que não, que há erros experimentais e premissas erradas, e que este valor é de apenas alguns milhares de anos. Mas é difícil explicar como tantas medições independentes erradas dão o mesmo valor, e o erro que os criacionistas exigem é um exagero: seis ordens de grandeza. Isto é um erro análogo a medir um centímetro e concluir que são 10 quilómetros.

7- O registo fóssil e o Dilúvio.

Como vimos atrás, os fósseis dividem-se pelos diferentes estratos geológicos. Isto é um facto directamente observável, e com implicações práticas importantes, por exemplo na prospecção de petróleo ou minerais valiosos. A explicação científica corrente assenta na teoria da evolução: organismos diferentes viveram em épocas diferentes, e os fósseis encontram-se nos estratos que se formaram na época em que esses organismos viveram.

Os criacionistas reconhecem esta distribuição de fósseis pelos estratos, mas explicam-na pela acção do Dilúvio, uma alegada inundação global que terá ocorrido há alguns milhares de anos. Esta hipótese tem o problema grave, logo à partida, de ser incompatível com a evidência geológica que temos, mas irei aqui focar apenas o problema de explicar o registo fóssil com esta hipótese.

Como muitos argumentos criacionistas, à primeira vista é uma boa explicação. Ao falar de fósseis, a ideia que vem à mente de muitas pessoas será o de um grande esqueleto de dinossauro, como os que vemos nas exposições ou museus. E é fácil imaginar como um grande dilúvio levou dinossauros do tamanho de elefantes para um lado e trilobites de palmo e meio para outro.

Mais difícil é explicar porque não há dinossauros misturados com baleias e elefantes. Mais difícil ainda se torna quando vamos aos pormenores, como por exemplo a separação de várias espécies de árvores coníferas. É muito difícil imaginar como uma inundação poderá separar árvores do mesmo género de acordo com a espécie.

Mas o que torna esta hipótese diluviana obviamente absurda é a natureza do registo fóssil. O grande esqueleto de dinossauro é um caso raro, digno de ser mostrado num museu mas uma excepção. O registo fóssil é composto maioritariamente por dentes, pedaços de osso, escamas, patas de insecto, galhos, grãos de pólen, conchas, folhas, ovos ou pedaços de casca de ovo, e em geral pequenas partes dos organismos que não permaneceram intactos após a morte durante os longos anos necessários à formação de um fóssil perfeito e completo. É claramente inadequado explicar que um dilúvio separou pela acção das águas as patas, galhos, grãos de pólen, e dentes e ossos separados dos organismos de acordo com a espécie a que pertencem. Se tivéssemos um estrato de tíbias e um estrato de ossos do dedo mínimo, os criacionistas teriam alguma razão. Mas não é isso que se observa.

8- Erros, mal-entendidos, e confusão retórica

Este ponto abarca um grande número de casos em que o argumento criacionista depende duma confusão de termos ou de afirmações ambíguas ou retiradas de contexto para dar uma ideia que não corresponde à realidade. Para ilustrar, irei retirar alguns exemplos do artigo Criacionismo Bíblico de Jónatas Machado (3), mas sem perda de generalidade, por serem comuns a muitas outras fontes criacionistas. Comecemos pela especiação.

“existem entre dois a dez milhões de espécies sobre a Terra. Ora, o registo fóssil mostra (na cronologia evolucionista) que as espécies sobrevivem entre três a cinco milhões de anos. Assim [...] deveríamos poder observar um pequeno mas significativo número de novas espécies e extinções em cada década. Sucede que não existe evidência, para os últimos 10 000 anos, do surgimento de qualquer espécie nova, sem prejuízo da ocorrência de fenómenos de especiação a partir de informação genética pré-existente.”

À primeira vista parece um argumento sólido, mas notemos a resalva no final. A teoria da evolução diz precisamente que novas espécies se formam pela variação gradual nas frequências de genes em populações já existentes. Se excluirmos de consideração os muitos casos documentados em que novas espécies se formaram “a partir de informação genética pré-existente“, obviamente vamos ficar sem espécies que se formem de acordo com a teoria da evolução. Na verdade, o argumento aqui apresentado não é contra a teoria da evolução, mas abona a seu favor, ao demonstrar que nenhuma espécie se forma por mecanismos que não os previstos pela teoria da evolução.

Outro favorito dos criacionistas é o alegado problema da ausência de fósseis de formas intermédias (3):

“No que diz respeito ao registo fóssil e à teoria da evolução das espécies, é interessante notar que logo quando formulou a sua teoria, Darwin reconheceu que a ausência de fósseis intermédios constituía uma séria objecção à sua teoria da evolução das espécies. Charles Darwin estava convencido que achados posteriores iriam permitir localizar os fósseis intermédios em falta.”

Consideremos dois fósseis na evolução dos cavalos. O Hyracotherium, que viveu há 55 milhões de anos, tinha o tamanho de um cão e um aspecto algo canino. O outro, Merychippus, viveu há 17 milhões de anos, tinha cerca de 1,2 m de altura e deslocava-se como um cavalo, andando sobre as pontas dos dedos. Perante a objecção criacionista que faltaria uma forma intermediária, poderíamos apresentar um terceiro fóssil, Miohippus, que viveu há 36 milhões de anos, com cerca de 80 cm de altura e características intermédias entre o Hyracotherium e o Merychippus. Contrariamente ao que seria de esperar, isto não resolve a objecção criacionista. Pelo contrário, o argumento criacionista é que agora faltam dois intermediários, um entre o Hyracotherium e o Miohippus, e outro entre o Miohippus e o Merychippus.

Para a evolução do cavalo nos últimos 55 milhões de anos conhecemos hoje em dia cerca de 30 espécies fósseis diferentes. A fossilização é um evento raro, e mais raro ainda é um fóssil sobreviver milhões de anos para ser encontrado pela pessoa certa, no local certo, e na altura certa para que possa contribuir para a nossa compreensão da evolução duma espécie. Como tal, é impossível termos todos os intermediários, o pai, o filho, o neto, o bisneto, e assim por diante durante milhões de gerações. Infelizmente, parece que só o impossível satisfaria as objecções criacionistas.

Outro ponto comum nos argumentos criacionistas é a acusação que a teoria da evolução tira todo o significado à existência humana (3):

“A TE tem um profundo impacto na imagem do ser humano, na medida em que, compreendendo a sua existência com base num processo materialista aleatório, cego e sem propósito, retira-lhe qualquer valor e sentido”

É difícil compreender porque estaria o sentido da nossa vida dependente dos nossos pais ou avós. É impossível compreender porque a vida teria menos sentido por termos um antepassado arbóreo há 5 milhões de anos ou um antepassado quadrúpede há 50 milhões de anos. Além disso este argumento é irrelevante. Seja qual for a opinião de cada um de nós acerca daquilo que dá ou tira sentido à sua vida, essa opinião não vai mudar nada no que concerne a quem foram de facto os nossos antepassados.

Uma boa parte de qualquer argumento criacionista consiste em apontar erros pontuais, fraudes, ou alegados contra-exemplos. É comum encontrarmos dezenas de referências (na maior parte dos casos à literatura criacionista) apontando problemas com este ou aquele aspecto da teoria da evolução. Mas uma teoria não é uma lista de detalhes isolados, mas sim o padrão revelado pelas observações como um todo. Com milhões de pessoas a usar automóveis todos os dias, facilmente podemos compilar uma lista de casos em que alguém rodou a chave na ignição e o motor não pegou. Mas, por si só, esta lista não refutaria a explicação segundo a qual rodar a chave na ignição é o método mais adequado para por o motor a trabalhar. Não só temos todas as outras (muitas) ocasiões em que rodar a chave resulta e põe o motor a trabalhar, mas também um mecanismo que explica como rodar a chave na ignição resulta no motor a trabalhar. Analogamente, uma explicação alternativa à teoria da evolução precisa ir muito além do mero compilar duma lista de possíveis falhas. Precisa explicar o padrão global das observações duma forma coerente e propor um mecanismo concreto que substitua o da descendência com modificação e selecção natural em que se fundamenta a teoria da evolução. Nisto o criacionismo falha por completo.

Como último exemplo de mal-entendidos e distorções nos argumentos criacionistas, vejamos o caso da “Eva” mitocondrial e do “Adão” do cromossoma Y (3):

“De resto, outros factos dados hoje como certos corroboram inteiramente o [Criacionismo Bíblico]. Em primeiro lugar, as investigações em torno do DNA mitocondrial herdado unicamente da mãe, demonstram que todos os seres humanos descendem de uma única mulher. [...] Em segundo lugar, investigações feitas em torno do Cromossoma Y demonstram que todos os seres humanos descendem de um mesmo homem, exactamente como previsto pelo [Criacionismo Bíblico]”

As mitocondrias são organelos celulares herdados da mãe. Comparando o DNA mitocondrial dos humanos vivos hoje em dia, podemos estimar há quanto tempo viveu o último antepassado comum pela linha maternal. Ou seja, estamos a seguir as linhas ascendentes da mãe, avó, bisavó, e assim por diante, de todos os humanos vivos agora até encontrarmos aquele ser onde estas linhas todas se intersectam. Essa fêmea (não propriamente humana) viveu há cerca de duzentos mil anos.

Mas não se tratava duma Eva no sentido bíblico. Vivia no meio de outros membros da sua espécie, e poderíamos fazer o mesmo com o DNA mitocondrial dos seus contemporâneos e descobrir outra “Eva” mais antiga, e assim por diante. Trata-se apenas do antepassado mais recente comum a todos os seres humanos seguindo a linha maternal (se não nos restringirmos à linha maternal vamos encontrar antepassados comuns a todos muito mais recentes – esta “Eva” mitocondrial nem pertencia à nossa espécie).

O mesmo se passa com o cromossoma Y, mas desta vez seguindo apenas a linhagem dos antepassados masculinos. Obviamente, se seguirmos apenas os antepassados masculinos, vamos chegar a um ser do sexo masculino como último antepassado masculino de todos os humanos vivos hoje. E se seguirmos apenas a linhagem dos antepassados femininos, vamos chegar a um ser do sexo feminino. Isto por si só não confirma o relato bíblico, é apenas consequência necessária do tipo de análise feita. E, curiosamente, este “Adão” do cromossoma Y viveu cerca de cem mil anos mais tarde que a “Eva” mitocondrial.

Não é possível aqui explorar em detalhe os inúmeros exemplos de omissões, mal-entendidos, e erros lógicos que abundam nos argumentos criacionistas. Mas o mais importante é apontar o padrão evidente na frequência deste tipo de erros, sintomático do fundamento ideológico e dos objectivos expressos pelo movimento criacionista moderno.

Conclusão

O criacionismo já foi uma teoria científica legítima. Mas, como tantas outras, não resistiu ao confronto com os factos. O criacionismo de hoje abandona por completo a legitimidade científica e refugia-se em truques retóricos para manter a pretensão. Não se trata de uma hipótese explicativa que nos ajude a compreender a origem das espécies, nem duma alternativa coerente à teoria da evolução. Trata-se duma reacção ideológica contra descobertas científicas que contradizem as crenças religiosas dos criacionistas. O seu objectivo é negar o conhecimento científico moderno para defender uma ideologia religiosa.

A lei Portuguesa confere ao jovem no ensino público o direito a uma educação moral religiosa de acordo com as suas crenças. Mas o criacionismo é uma hipótese factual, não uma doutrina moral, e o seu objectivo é atacar os alicerces da ciência moderna. Retirar o criacionismo do ensino público Português não viola o direito a uma educação moral religiosa, pois não se trata duma questão moral. Pelo contrário, defende o direito do aluno a uma educação factualmente correcta, e protege o jovem de argumentos falaciosos, de distorções e mal-entendidos aos quais está vulnerável, especialmente quando vindos duma figura de autoridade como um professor.

Ludwig Krippahl

Notas e referências:

1.Disponível em http://www.portalevangelico.pt/cmp_programa.asp

2.Citação do memorando do Discovery Institute, na versão original:

“The social consequences of materialism have been devastating. As symptoms, those consequences are certainly worth treating. However, we are convinced that in order to defeat materialism, we must cut it off at its source. That source is scientific materialism. This is precisely our strategy. If we view the predominant materialistic science as a giant tree, our strategy is intended to function as a "wedge" that, while relatively small, can split the trunk when applied at its weakest points”

3.Jónatas Machado, Criacionismo Bíblico, disponível electronicamente à data deste artigo em: http://www.portalevangelico.pt/noticia.asp?id=2669

4.The American Biology Teacher, Março 1973 (35:125-129)

5.Palestra na conferência “Digital Biota 2”, Cambridge, Reino Unido, Setembro de 1998

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